segunda-feira, 13 de junho de 2016

Solteiros fazem simpatias e rituais para Santo Antônio na Paraíba

Nesta segunda-feira (13), os fiéis católicos comemoram o Dia de Santo Antônio, conhecido tradicionalmente como o Santo Casamenteiro. Na Paraíba, o santo, que é um dos mais populares do período junino ao lado de São Pedro e São João, é homenageado de várias formas, que variam desde a devoção a uma graça alcançada até um ritual para conseguir a graça pelo qual o santo é famoso: o casamento.

O município de Fagundes, no Agreste do estado, passa boa parte do ano em tranquilidade, com seus pouco mais de 11 mil habitantes, segundo os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mas na véspera de Santo Antônio, quando também comemora-se o Dia dos Namorados, a cidade fica agitada com a quantidade de visitantes que querem passar por baixo da pedra que leva o nome do santo.

São cinco quilômetros de subida até chegar aos pés da rocha. A pedra tem cerca de 30 metros de altura e a passagem dentro dela é estreita. O caminho por dentro da rocha também é difícil, são quase 20 metros entre a entrada e a saída e as pessoas que querem conseguir um casamento têm que se arrastar pelo espaço.

A rocha ganhou a fama porque, segundo a lenda, moradores da região encontraram uma imagem do santo casamenteiro embaixo da pedra. A tradição é curiosa, a lenda diz que quem está solteiro e quer casar tem que passar por baixo da pedra três vezes e em seguida visitar a capela que fica na frente. Se assim fizer, no ano seguinte, se casa. Quem já fez o ritual, diz que vale a pena.

A estudante Rose da Silva conheceu o marido, Cristiano, há 11 anos. No domingo, eles voltaram ao local para comemorar. “Deixamos os filhos em casa com a minha mãe e viemos aqui curtir. É muito amor, são 11 anos”, explica.

Simpatia para Santo Antônio

Outra tradição bastante comum no período junino são as simpatias. A pensionista Maria Geny é devota de Santo Antônio e credita a ele a graça de conseguir um casamento. Quando ela tinha 16 anos e morava em Areia, também no agreste, ela fez uma simpatia. Apesar do ritual ter sido feito para o santo casamenteiro, a data escolhida foi no dia de São João, por causa das fogueiras.
“Minha mãe me incentivava muito, por meio de brincadeira mesmo. Papai ia acender a fogueira e ela disse para correr e soltar uma moeda na fogueira. Em seguida ela disse 'Vá para atrás da porta e encha a boca de água e fique aguardando quando seu pai falar o nome de algum homem, é com uma pessoa daquele nome que você se casa'”, explicou.

A pensionista comenta ainda que o primeiro nome que ouviu o pai falar foi o de um homem chamado Antônio. “Eu namorava com um Antônio na época e já era devota do santo. Aí eu estranhei e pensei: ‘pronto, que Antônio é esse, mais um em minha vida?”, contou.

Para completar a simpatia, ainda era preciso que no outro dia Geny retirasse a moeda da fogueira e entregasse para o primeiro pedinte que chegasse na casa. Ao perguntar o nome do pedinte, se ele fosse igual ao nome citado pelo pai durante a fogueira, era o sinal de que a simpatia iria funcionar. “No outro dia, na hora do almoço, eu estava sentada e chegou um homem na porta, fui até lá e minha mãe mandou eu perguntar o nome dele, eu perguntei e ele respondeu que era Antônio”, completa.

Anos depois, a pensionista se mudou para João Pessoa e a simpatia se concretizou, ela conheceu um homem chamado Antônio e eles se casaram na capela do santo, que fica no Bairro dos Estados. Seu Antônio morreu há 24 anos e do casamento dos dois, nasceu Antônio Glauco, o terceiro Antônio da vida de Geny. Atualmente ela frequenta a capela todos os dias para agradecer e rezar para o santo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário