segunda-feira, 20 de junho de 2016

Poeta ex-presidiário anda 10 km por dia para divulgar trabalho em RO

"A poesia tem comunicação secreta com o sofrimento do homem". Com esta frase o poeta portovelhense Rogério Silveira, o 'poeta andarilho', tenta explicar sua devoção aos versos e prosas que compõem seu trabalho. Autor de quatro livros, três de poesia e um de contos, o estudante do 4º período de Filosofia da Universidade Federal de Rondônia (Unir) diz que chega a andar até dez quilômetros por dia, de bar em bar, mesa em mesa, fazendo intervenções poéticas para juntar recursos e publicar sua 5ª obra, intitulada 'Impropério Poético'.

Desempregado, além de alimentar o projeto, o poeta diz que tenta garantir o sustento da família com o que ganha durante suas atividades em Porto Velho. "Atualmente estou desempregado, então, além de incentivo cultural, busco dia após dia garantir meu próprio sustento", revela. No entanto, ele explica que não é um trabalho fácil. "Recebo muitos 'nãos', mas sempre tem alguém que entende o que eu faço e me ajuda no que pode", diz.
S
ão pessoas como o casal Marcos Antônio e Nadiele Mota que em pleno horário de almoço, no último sábado (18), permitiram que Rogério Silveira os apresentasse a uma de suas poesias. "Não é fácil o que ele faz, precisa ter disposição para sair de mesa em mesa e, mesmo sob negativas, ter ânimo para continuar suas apresentações", comentou o casal.

Sempre animado e falante, Rogério diz que os 'nãos' que recebe não são contabilizados negativamente, mas guardados como um incentivo para melhorar suas abordagens.

Além de escrever, o poeta diz que participa de atividades voltadas para a ressocialização de presos e promove palestras sobre os efeitos nocivos das drogas, efeitos esses testados na própria pele. Na juventude, Rogério diz que se envolveu com o tráfico de drogas e acabou preso. Foi lá, entre as grades que ele conta ter desenvolvido o prazer pela leitura e, usando a própria vida como inspiração, deu vazão a sua criatividade poética.

O período na prisão e a morte de uma filha, de 12 anos, impulsionaram o hábito de escrever e acabaram tornando-se temas dos primeiros trabalhos do poeta publicados no livro 'Crônicas, Reflexos e Poemas – Compêndio de Uma Vida no Cárcere'. Animado pela publicação do primeiro livro, Rogério resolveu publicar outra obra, 'Um Bocado de Prosa, Um Dedo de Poesia, Um Emaranhado de Vida, o Paradoxo', que, segundo ele, vendeu cinco mil exemplares. "Eu mesmo vendo meus livros", afirma.

O terceiro livro, 'Conflito Iminente, o Desafio no Caminho da Conquista', também trouxe poesias, mas no quarto livro, 'Sem Eira nem Beira... Desventuras Intrépidas', Rogério resolveu narrar um pouco da própria história. "É uma forma de mostrar ao leitor que alguns caminhos podem ser terríveis e que de tudo tem que se tirar uma lição. A poesia me salvou", disse Rogério, referindo-se a sua vida pregressa de envolvimento com as drogas.

Quem quiser apoiar o trabalho do 'poeta andarilho' pode ligar para (69) 99926-0554. "Qualquer ajuda será bem vinda", diz Rogério.

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