quarta-feira, 15 de junho de 2016

Mulher passa três dias em rodoviária de Campina Grande após ser roubada

Uma empregada doméstica paraibana que mora na cidade de Natal, capital do Rio Grande do Norte, passou três dias no Terminal Rodoviário Argemiro de Figueiredo de Campina Grande, no Agreste paraibano, sem fazer refeições nem tomar banho depois de ser assaltada e ter tudo roubado, na madrugada do último domingo (12). Sem se alimentar direito, Maria José, de 44 anos, passou mal e ainda teve que esperar mais 40 minutos para ser socorrida na tarde da terça-feira (14).

De acordo com a Polícia Militar, Maria José contou que havia viajado de Natal até a cidade de Campina Grande no último sábado (11) para tirar segunda via de documentos e foi vítima de um arrastão dentro do terminal rodoviário, quando esperava um ônibus para retornar à cidade de Natal, na madrugada do domingo.

Maria José estava com R$ 100 e um celular, que foram levados. Ela contou que não tem mais parentes na Paraíba, que mora só na cidade de Natal e que todos os contatos de amigos e vizinhos estavam no celular roubado. “Eu tô com fome e fiquei pedindo para comer”, disse a mulher quase sem forças para falar.

Segundo testemunhas, nos últimos três dias a mulher se alimentou apenas com salgadinhos fornecidos por comerciantes e passageiros. A situação se agravou na tarde desta terça-feira, quando Maria José teve um desmaio. Um policial que trabalha no posto militar do terminal rodoviário ligou para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas foi informado de que não havia ambulância disponível.

“A médica quando atendeu informou que não tinha ambulância para prestar socorro. Quando eu liguei de novo disseram que iam mandar”, disse o sargento José Freitas. Entretanto, da primeira ligação até a chegada de motolâncias do Samu foram 40 minutos. Ainda de acordo com o militar, a ambulância chegou no local cerca de uma hora após a ligação. A vítima foi encaminhada para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e não corre risco de morte.

O supervisor da empresa responsável pelo Terminal Rodoviário de Campina Grande, Eduardo Lima, disse que a administração não tinha conhecimento do caso.

“A administração não sabia de que ela estava desde o domingo no terminal, sem condições de voltar para sua localidade. Quando isso acontece a gente imediatamente entra em contato com a Secretaria de Assistência Social para que sejam tomadas as providências, para encaminhar as pessoas para abrigos ou conseguir cortesia para a viagem”, disse ele.

Ainda de acordo com o supervisor, a rodoviária conta com policiamento entre 8h e 20h, mas destacou que a empresa está providenciando a contratação de seguranças particulares para o horário da noite e madrugada. Segundo Eduardo Lima, o terminal não tem obrigação de ter equipe médica, apenas de ter o equipamento desfibrilador.

A imprensa tentou entrar em contato com o comandante do 2º Batalhão de Polícia Militar (2º BPM), mas as ligações não foram atendidas. Já o Samu explicou que a demora no atendimento aconteceu pelo grande número de ocorrências. “Nós temos dez unidades rodando por dia e ainda cinco motolâncias. Todas as unidades estavam com pacientes dentro das unidades sendo atendidos”, disse o coordenador do Samu.

Além disso, o Samu informou que, das dez ambulâncias, duas estavam paradas no Hospital de Trauma de Campina Grande, com macas retidas. O diretor do hospital, Geraldo Nobre, explicou que foi um fato isolado. “Hoje ocorreram de dois pacientes que chegaram em estado gravíssimo e foram encaminhados para o centro cirúrgico e realmente duas macas ficaram retidas no local, enquanto os procedimentos de emergência eram feitos para salvar as vidas”, disse o diretor.

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