terça-feira, 14 de junho de 2016

EDITORIAL: DESEMPREGO A LONGO PRAZO

A falta de ações consistentes no planejamento econômico do País e a piora nos índices resultaram no assustador crescimento do desemprego: em três meses, dois milhões de brasileiros perderam os postos de trabalho. No total, foram 11,089 milhões de desempregados, representando taxa de 10,9%, mais um indesejável recorde alcançado pela gestão do PT. Desde o ano passado, especialistas traçavam a manutenção do cenário negativo, o que ainda deve perdurar, mesmo com o início de solução política, decorrente da celeridade no processo de impeachment da presidente da República, Dilma Rousseff.

Os números mostram avanço do desemprego, segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Há um ano, a taxa do trimestre era de 7,9%. Na contagem feita em três meses de 2015, de outubro a dezembro, o índice era de 9%. Segundo avaliação do instituto, o fechamento de postos de trabalho influencia o comportamento da família: sem a principal ou a única renda, outros integrantes da casa também buscam ocupação para complementar o ganho familiar, aumenta a fila de desempregados. A população ocupada - empregada com carteira assinada - também sofreu redução, índice de 1,7%. Outro fator preocupante é a queda de 3,2% no valor do rendimento em 2016, que caiu de R$ 2.031 para R$ 1.966.

No cenário regional, é possível verificar, ainda, mais um efeito colateral da crise: em Mato Grosso do Sul, a Justiça do Trabalho verificou aumento considerável de processos: foram 11.179 ações protocoladas de janeiro a março, alta e 12,6%. O crescimento já vinha sendo percebido em 2015, alta de 5,6%. Segundo o Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região, 18% das empresas concentram as reclamações trabalhistas, todas de grande porte, entre elas, frigoríficos, empresas de celulose, telefonia e empreiteiras.

O desemprego é o efeito mais perverso da recessão. Empresários atingidos em cheio com a queda no faturamento precisam cortar gastos; uma das alternativas na redução de despesas é enxugar folha de funcionários. Esta é a saída para manter-se no mercado, na tentativa de atravessar o turbulento cenário econômico. Para quem está na ponta desta cadeia, restam poucas opções: o subemprego - “bicos” sem qualquer tipo de segurança - ou, na melhor das hipóteses, emprego com menor remuneração. Infelizmente, economistas mantém avaliações feitas no início de 2016, com perspectiva negativa nos índices econômicos. É necessário ajuste da política fiscal para que se recupere a confiança no mercado brasileiro.

Porém, a indefinição no quadro político prejudica a economia. A tendência é que o Senado aprove o afastamento da presidente, mas, enquanto a situação não for oficialmente resolvida, todos os setores estão em compasso de espera. Mesmo depois, será longa estrada a ser percorrida e o “boom” de contratações registrado na última década será somente história. A médio prazo, o cenário é de recuperação morosa e, enquanto perdurar, as contratações também seguirão a passos lentos.

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