sábado, 18 de junho de 2016

EDITORIAL: CRISE POLÍTICA JOGA A ECONOMIA NO CHÃO

A atual crise econômica, em marcha batida para ser a mais grave da história, tem origem bem conhecida, apesar do discurso oficial que tenta responsabilizar problemas na economia mundial. Mas as causas básicas da atual turbulência são bem conhecidas e internas, originadas em erros clássicos do tal “novo marco macroeconômico”, aplicado a partir do segundo mandato de Lula e aprofundado em Dilma 1.

É receita infalível para desarrumar qualquer economia despreocupar-se com as despesas públicas, mascarar a inflação com subsídios, baixar juros à base de canetadas, não perceber o fim de um ciclo de superoferta de crédito, e assim por diante.

As estatísticas liberadas pelo IBGE sobre o PIB no ano passado são dramáticas. E não apenas o índice geral do PIB, de um retrocesso de 3,8%, só superado pelos 4,35% negativos de 1990, reflexo do desvairado sequestro da poupança cometido pelo governo Collor. Há, ainda, a ameaça de a atual crise ser tão ou mais longa que aquela recessão, de quase três anos.

Vários números preocupam. Um deles, o da queda dos investimentos em 14,1%, a maior em cerca de duas décadas. Em relação ao PIB, as inversões chegaram no último trimestre do ano em 16,8%, aproximadamente três pontos percentuais abaixo do resultado em idêntico trimestre de 2014. Isso quando se sabe que para a economia manter-se crescendo, de forma sustentável, a um ritmo de 4%, os investimentos precisam chegar aos 25% do PIB. Assim, a recessão destrói empregos hoje, enquanto também compromete a ampliação do mercado de trabalho no futuro. Com isso, aumenta a possibilidade da volta da maldição da “década perdida”, dos anos 1980.

Desta vez, com um fator político mais atuante para manter a economia no atoleiro. Pois a cada momento ficou exposta a fragilidade crescente do governo Dilma e agora o do Temer, de que petistas e peemedebistas se afastam e a oposição deseja abreviar o fim.

Petistas abominam a decisão de Dilma de rejeitar a proposta tresloucada de restabelecer o “novo marco”. Caso ela volte ao poder, deve no mínimo intuir que a hiperinflação poderá explodir, enquanto o câmbio igualmente poderá ir para o espaço. Sequer as reservas de US$ 350 bilhões dariam conta de resistir ao tranco.

Mas, ao mesmo tempo, Dilma não deve avançar, até por falta de base parlamentar, em mudanças essenciais para reverter a queda livre em que se encontram setores-chave: em janeiro, comparado com o mesmo mês de 2014, a indústria de bens de capital encolheu 35,9%, e a de bens duráveis, 28,2%.

Por isso, a Bolsa subiu e o dólar caiu quando circulou a notícia do depoimento coercitivo de Lula. Os agentes de mercado deduzem que o lulopetismo no poder impede a aplicação da terapia adequada à crise. Também por isso, os investidores no setor real da economia se retraem. Poucas vezes ficou tão claro como um impasse político pode parar um país.

Nenhum comentário:

Postar um comentário