segunda-feira, 13 de junho de 2016

Cirurgia de glaucoma ainda não é realizada pelo SUS em Rondônia

O estado de Rondônia ainda não realiza cirurgias em casos de glaucoma pelo Sistema Único de Saúde (SUS). De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde (Sesau), já está aberto o processo de licitação para a contratação de uma empresa que realize a cirurgia. Conforme a Sesau, as empresas passarão pelo processo licitatório, e logo depois uma delas será responsável pelas cirurgias, mas ainda não há uma data definida. A Sesau não sobre informar à imprensa quantas pessoas já foram diagnosticadas com glaucoma no Estado.

Segundo uma pesquisa realizada por uma equipe de oftalmologistas de Rondônia dirigida pela doutora Hévila Rolim, de 88 pacientes atendidos com diagnóstico de glaucoma, 89% não sabiam que tinham a doença. Apenas 1,13%, possui glaucoma somente em um olho. Além disso, 69,31% dos pacientes são mulheres. A pesquisa conclui que o glaucoma é uma questão de saúde pública e que a população desconhece a doença o que torna possível estudos e esclarecimentos sobre o problema.

A oftalmologista e especialista em glaucoma, Doutora Hévila Rolim, explica que o glaucoma é uma doença assintomática e precisa ser monitorada pelo paciente. "A doença em si não dá muito sintomas, na realidade apenas na forma aguda que o paciente sentirá dor, poderá perder um pouco a visão e os olhos ficarão vermelhos", informa Hévila.

De acordo com a oftalmologista, ainda não se pode afirmar que a doença e hereditária, mas ter um caso na família de glaucoma na família é considerado um fator de risco. "O glaucoma afeta mais as pessoas a partir de 40 anos, sem contar também os casos de bebês que podem nascer com a doença. Tudo depende da pressão do olho do paciente, que pode estar elevada ou não, mas lembrando que somente um oftalmologista pode diagnosticar a doença", explicou Hévila.

O aposentado Hermes Moreira de Melo de 75 anos, descobriu o glaucoma há mais de um ano e com o avanço da doença ele já perdeu a visão periférica. "Uma oftalmologista de Rolim de Moura descobriu a doença, pois eu sentia fortes dores no meu olho. Pouco depois, em Porto Velho, outro médico verificou que o glaucoma afetou toda a minha visão periférica, e desde lá percebo outras mudanças em minha visão", conta Melo.

A filha do aposentado, Cássia Melo, explica que o pai está ficando cego aos poucos. "Antes de descobrirmos que ele tinha glaucoma ele era muito ativo, fazia de tudo, mas agora ele está mais contido. O médico até receitou um colírio, que o SUS não disponibiliza e pagamos R$ 150 nele, mas já sabemos que o remédio não irá fazer muita diferença, já que a doença está em estado avançado. Conforme o tempo passa, percebemos que ele enxerga cada vez menos", disse Cássia.

De acordo com Hévila, que é mestre na área, o glaucoma é a segunda doença que mais causa cegueira irreversível no mundo. "Quando diagnosticamos o paciente podemos receitar um colírio que pode estacionar a doença, ou seja, o glaucoma para de avançar, mas não há possibilidade da voltar a enxergar normalmente a doença só estaciona", esclareceu a médica.

De acordo com a oftalmologista existem diversos tipos de tratamento que pode variar de acordo com o médico da pessoa, podem ser receitados colírios, cirurgias a laser entre outros.

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