quarta-feira, 15 de junho de 2016

Boi que tem patas e saco escrotal no cupim vira bicho de estimação em RO

Um touro que nasceu com duas patas e um saco escrotal no cupim virou animal de estimação de uma família de Rondônia. Chamado de "Pézinho" pelos donos, o boi da raça Girolando tem seis anos e esbanja saúde, mesmo com a má formação genética. "A gente se apegou. Ele é muito manso e virou o reprodutor da propriedade", afirma Ezequiel Jacone Tavares, pecurarista do distrito de Tarilândia, em Jaru (RO), a 290 quilômetros de Porto Velho.

Em entrevista, Ezequiel conta que levou um susto quando Pézinho nasceu, em 2010. "A vaca que gerou ele ficou com a barriga muito grande na gestação. Pensei que ela estivesse prenha de mais de um bezerro. Mas, quando ela criou vi apenas um bezerro. Cheguei mais perto dele, e foi quando eu vi as duas patas e a bolsa escrotal. Levei um susto. Logo pensei em cortar, mas fui aconselhado a deixar lá. Eu não imaginava que o animal sobreviveria", disse.

Contrariando as expectativas do dono, Pézinho sobreviveu e se tornou reprodutor da propriedade. Ezequiel e a esposa, Santina Ramalho Tavares, de 52 anos, garantem que todos os filhos do touro nasceram saudáveis e sem qualquer malformação. O sitiante destaca ainda que o touro é individualista e não aceita outro macho reprodutor com ele no mesmo cercado. "Vira briga se ficar junto, pois onde ele chega quer comandar tudo", brinca o pecuarista.

Atração

O touro virou atração na região de Tarilândia e se tornou o queridinho dos sitiantes. "Várias pessoas já vieram aqui para tirar foto e ficam encantadas com ele. Virou celebridade na linha rural. A gente se apegou ao boi devido essa deformidade dele. Vender para o abate está fora de cogitação", assegura dona Santina.

Deformação

A imprensa mostrou as imagens do touro com as patas presas ao cupim para o veterinário Murilo Freitas, da Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril do Estado de Rondônia (Idaron). Segundo o profissional, o caso é raro, mas não infrequente.

Ele conta que apesar dos membros presos na região do cupim, o animal aparenta estado de saúde normal. Ele explica ainda que as malformações congênitas podem ser ocasionadas por consanguinidade, ou seja, parentesco entre os que descendem de um mesmo pai e tem laço de sangue.

"Muitas vezes nos rebanhos não ocorrem a introdução de novos reprodutores e quando bovinos que tem um certo grau de parentesco acasalam, pode causar prejuízos na seleção genética, sendo eles membros adicionais, porte reduzido e más formações", explicou. 

O veterinário disse também que nesses casos a orientação é não extrair os membros extras, se não estiver causando lesão ao bovino. A castração do animal deve ser feita. "No caso do Pézinho, o dono relatou que ele se reproduziu normalmente, mas a chance de ter nascido animal com alguma anomalia era considerável", concluiu.

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