sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Unisp vai tirar delegacias de 2 bairros e população reclama em Porto Velho

A Unidade Integrada de Segurança Pública (Unisp), que atenderá pelo menos dez bairros da Zona Leste de Porto Velho, pode ser inaugurada no próximo mês de março, segundo informou na quinta-feira (21), o delegado geral da Polícia Civil, Elizeu Muller.

A obra, orçada em cerca de R$ 3 milhões, vai integrar serviços da Polícia Militar (PM), Polícia Civil (PC) e Bombeiros em uma mesma unidade. Com a instalação da Unisp, as 6ª e 8ª Delegacias de Polícia Civil (DP), instaladas nos bairros Tancredo Neves e Ulisses Guimarães, respectivamente, devem passar a integrar a unidade.

A mudança é polêmica e não tem sido bem vista por quem reside em bairros como Ulisses Guimarães e Marcos Freire. "Não estão pensando na população que terá que se deslocar para ter acesso a esse serviço, sou contra a mudança da 6ª DP para a Unisp", criticou o vendedor autônomo Adalberto Ferreira Pinto, de 66 anos, que reside no bairro Ronaldo Aragão, a alguns quilômetros da Avenida Amazonas com José Amador dos Reis, região onde a Unisp funcionará.

O delegado Elizeu Muller não concorda com a opinião de Adalberto, segundo o titular da delegacia, a área escolhida pode ser acessada por toda a população localizada na Zona Leste. "Pensamos no lugar para dar acessibilidade ao cidadão", disse.

Além da distância, alguns moradores do Ulisses e do Marcos Freire, por exemplo, temem ficar completamente desassistidos pela polícia. Para evita que isso aconteça, um conselho de segurança, formado por pessoas dos dois bairros e do entorno, se reuniram na noite da última quinta-feira (21), para debater o assunto e montar uma pauta de reivindicações que deve ser entregue a deputados estaduais, autoridades policiais e representantes do governo no próximo dia 2 de fevereiro, em uma reunião que será realizada às 19h em  uma escola local.

"Nosso objetivo, é que o prédio onde funciona a 6ª DP seja ocupado por um destacamento da PM, não nos opomos a mudança, mas não queremos ficar sem segurança pública em nossa comunidade", explicou o advogado Anderson Mendes, que coordena a reunião do conselho de segurança comunitário.

Segundo ele, em menos de dois dias, na região do Marcos Freire, foram registrados 23 furtos, a maioria de veículos. "Sem polícia na região, certamente a situação ficará mais crítica", alertou.

Mas há quem seja favorável a mudança das DP’s para a Unisp. A vigilante Betânia Alves Silva, de 34 anos, mora no Ulisses Guimarães e diz que se o 6º DP for retirado de lá, não fará falta. "Não tem serventia nenhuma. A delegacia está sucateada, falta papel e impressora para impressão de boletim de ocorrência, vive sem sistema e quase não investiga crimes, melhor vir uma unidade da PM", declarou.

Vítima de dois assaltos, ela afirma que nunca teve assistência da polícia na resolução dos crimes. "Tive minha moto roubada em março do ano passado e, com a ajuda de amigos, meu marido é quem a recuperou", ressaltou.

A vendedora autônoma Queli Cristina, de 29 anos, que mora próximo ao 6º DP, reforça as palavras de Betânia. Segundo ela, um destacamento da PM seria mais útil no local. "Essa delegacia (6º DP) não faz nada, sempre que precisamos está com algum problema", afirmou.

Outras Unisp’s

Além da unidade da Avenida Amazonas, outra Unisp está em fase de finalização. Ela vai funcionar ao lado da Delegacia de Homicídios. O delegado Elizeu Muller alegou que não pode precisar a época que será concluída, mas afirmou que os dois centros podem ser entregues em maio deste ano.

Outras unidades que serão localizadas na Zona Sul e Zona Norte da capital também serão construídas, mas não há prazo para início e conclusão. Lá serão feitos os flagrantes, registros de boletins de ocorrências e equipes de bombeiros e polícia estarão a postos para atender as demandas que surgirem, segundo o delegado.

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