segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

EDITORIAL: OAB DIZ NÃO AO IMPEACHMENT

O texto do Conselho Pleno da OAB é melífluo, cheio de ameaças veladas, como se esperaria de um momento político tão conturbado e polarizado, mas o seu conteúdo não deixa dúvidas: a entidade afastou a ideia do impeachment, que seguramente um setor reacionário da OAB (que apoiou o golpe de 64, não esqueçamos) tentou empurrar goela abaixo do conselho.
Os conselheiros voltarão a se reunir em fevereiro de 2016, ou seja, em pleno verão carnavalesco, e quando o momento político estará bem menos tenso, por causa do recesso parlamentar.
O entendimento da maioria do conselho é que os fatos presentes não ensejam impeachment. Se houver mais fatos, aí é outra história.
A crise política agora está à mercê dos novos desdobramentos da Lava Jato, operação importante contra a corrupção, mas tocada com uma sede de sangue notoriamente golpista, visto que os procuradores continuam tentando emplacar teorias sobre "compra de apoio político" e "projeto de poder", num esforço obsessivo para criminalizar a política e fazer com que os estamentos judiciais assumam o poder, de fato, no país.
O problema principal da conjuntura política, porém, continua sendo o silêncio mórbido, doentio, da presidenta da república, que parece ter uma incapacidade crônica não apenas de se comunicar como para montar um modesto serviço de assessoria de comunicação.
Dilma não usa o cargo para fazer política: feita eleita para isso e não faz.
Não aparece em momentos dramáticos, como o crime ambiental em Mariana ou a execução de cinco jovens negros na periferia do Rio de Janeiro. Não usa os palanques internacionais para proferir discursos importantes sobre a democracia e o futuro do Brasil.
Dilma não faz a campanha mais necessária e mais urgente: a campanha contra a desesperança e contra o pessimismo, vendidos pela mídia em escala industrial, de maneira diária e opressiva.
Nunca antes na história desse país tivemos uma presidente tão escandalosamente ausente do debate político, e esta ausência é perigosíssima, porque o vácuo de poder é preenchido pela mídia, pelos estamentos judiciais, pelos golpistas em geral.

Se Dilma não gosta de falar, que contrate um porta-voz, que organize um serviço de informação de alto nível: a incompetência do governo na comunicação está provocando prejuízos colossais à democracia, à economia, à estabilidade política e, sobretudo, à paz de espírito dos brasileiros, que se sentem inseguros com um governo mudo, que não se manifesta, que não participa da necessária, saudável e democrática luta política.

Nenhum comentário:

Postar um comentário