quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

EDITORIAL: ANTÍDOTO PARA A EVASÃO ESCOLAR

Relegado ao segundo plano, em relação às políticas dirigidas nos últimos anos à formação universitária, o Ensino Médio finalmente começa a merecer atenção do setor público.

O mais recente movimento nesse sentido foi a aprovação, pelo Conselho Nacional de Educação, de novas diretrizes que asseguram autonomia às escolas na definição dos currículos e enfoque de disciplinas.
A inovação, resultante de oito meses de estudos, tem boa acolhida de especialistas, porque, ao lado de outras providências, poderia fortalecer os compromissos com a redução da evasão escolar.
No que tem de essencial, a mudança permitirá que as escolas invistam em suas potencialidades, de acordo com a realidade das comunidades, e assim obtenham melhorias na missão de ensinar. Corrige-se uma das falhas da Educação básica no Brasil, que tem indicadores deploráveis.
Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, do IBGE, em 2009 apenas 50,2% dos jovens brasileiros de 19 anos haviam concluído o Ensino Médio. Um dos fatores sempre citados para a evasão é a repetência.
Naquele ano, em média, 24,1% dos jovens não conseguiram passar à série seguinte. O abandono da escola, por motivos diversos, também é atribuído em boa parte à desconexão entre o que é ensinado e a realidade dos próprios estudantes.
Assim, o país vem desperdiçando recursos e comprometendo o futuro de milhões de jovens, em consequência da reconhecida precariedade da Educação formal, que tem a tarefa de preparar os brasileiros, não necessariamente para a próxima etapa da universidade, mas para a compreensão do mundo, para o trabalho e para a cidadania.
São deficiências que interferem, mais adiante, na formação de profissionais com diploma superior e até mesmo, como constatou o próprio governo, na qualificação de técnicos de cursos profissionalizantes. Sem uma boa base, os estudantes saem do Ensino Médio mal preparados para aprimorar formações num mercado de trabalho cada vez mais exigente.
É preciso, no entanto, que a autonomia curricular seja complementada por outras medidas, que levem em conta a qualificação e a remuneração dos próprios professores, as condições das escolas e o cumprimento da determinação constitucional de priorizar a Educação.

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