terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Apreendidos quase mil metros cúbicos de madeira na Rebio do Jaru

Durante o período de 04 a 12 de dezembro de 2015 agentes de fiscalização da Reserva Biológica do Jaru promoveram operações de fiscalização na parte leste da Unidade de Conservação (UC), divisa dos estados de Rondônia e Mato Grosso. Durante os dias em campo, os fiscais percorreram aproximadamente 1.500 Km de estradas, tendo como apoio recursos do Programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa), do Ibama e da Policia Militar de Rondônia.

O objetivo foi monitorar a execução dos Planos de Manejo Florestais Sustentáveis desenvolvidos no entorno imediato da UC, além de monitorar outros ilícitos ambientais como extração ilegal de madeira, desmatamento, garimpo ilegal, caça, entre outros.

Tais ilícitos ambientais ameaçam a integridade da Rebio Jaru e do seu entorno, a exemplo do que ocorreu no ano de 2004, quando uma grande madeireira desta região adentrou o interior da UC e explorou cerca de 20 mil metros cúbicos de madeira antes da equipe gestora tomar ciência e autuar os infratores pelos danos ambientais causados.

Na primeira fase da operação de fiscalização a equipe encontrou, logo na manhã do dia 05, uma grande exploração ilegal de madeira em andamento, ocasião em que foram encontrados cinco trabalhadores e vários equipamentos e maquinários a menos de 1.500 metros do limite da UC.

Após a contagem, a equipe de agentes de fiscalização totalizou 993,56 metros cúbicos de várias essências florestais retiradas ilegalmente, tais como: Roxinho (Peltogyne spp), Garapeira (Apuleia Ieiocarpa), Ipê (Tabebuia), Maracatiara (Astronium lecointei Ducke), Jatobá (Hymenaea spp.), Cumaru (Dipteryx odorata), Cedro (Cedrella spp) e Cerejeira (Amburana acreana).

Todos os trabalhadores, equipamentos e maquinários apreendidos no ilícito foram conduzidos para Ji-Paraná/RO. No escritório administrativo da Rebio Jaru os infratores foram ouvidos e o dono da exploração (proprietário dos equipamentos e maquinários) foi autuado no valor de R$ 298.068,00.

Os bens do dono da exploração foram apreendidos: 01 caminhão Mercedes Benz, 01 trator carregadeira, 01 caminhonete Toyota Bandeirantes, 01 motor Assoprador, 02 motosserras, 01 tambor de 200 lt e 01 espingarda calibre 32/65.

Na segunda fase da operação de fiscalização, iniciada dia 08 de dezembro, a equipe retornou ao local da extração ilegal para realizar a inutilização de toda a madeira ilegal apreendida e levantar os demais danos ambientais.

A madeira teve que ser inutilizada apenas porque seu transporte do local do ilícito se tornou inviável, por conta das péssimas condições das estradas devido às chuvas e à grande distância para o centro urbano mais próximo, a cerca de 240 Km da cidade de Ji-Paraná/RO. Outra medida foi evitar que os infratores pudessem utilizar tais madeiras para se capitalizar e continuar causando danos ambientais à UC.

Uma equipe de prestadores de serviço contratada com recursos do Programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa) promoveu a inutilização das toras, por meio de cortes de motosserra, espaçados a cada 90 cm.

Enquanto isso outra parte da equipe de fiscalização realizou o levantamento dos demais danos ambientais no local. Ocasião em que foram constatados na mesma propriedade mais três desmatamentos em andamento, totalizando cerca de 19,54 hectares de área desmatada.

Em um dos barracos de lona próximos aos desmates, que serviam de abrigo para os infratores, foram encontrados 16 sacos de semente da espécie capim-Mombaça (Panicum maximum) que não estavam lá quando a fiscalização havia ocorrido dia 05 de dezembro, além de uma caixa com vários utensílios de cozinha, alimentação e uma placa solar com baterias.

Para os agentes em campo ficou claro que o proprietário do lote (ainda não qualificado) não se intimidou com a ação fiscalizatória anterior e pretendia continuar a causar danos ao meio ambiente plantando tais sementes de capim exótico e altamente agressivo à flora natural do local.

Próximo dos barracos também foi encontrado um poleiro improvisado para caça e penas da ave silvestre mutum-cavalo (Pauxi tuberosa), demonstrando que os envolvidos estavam praticando caça ilegal no local. Os agentes promoveram a destruição dos barracos de lona que serviam de apoio logístico para estes ilícitos ambientais e apreenderam os materiais encontrados.

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