terça-feira, 26 de janeiro de 2016

À beira da insolvência, segundo maior sindicato de Rondônia não tem dinheiro para despesas básicas

A menos de dez dias da eleição para escolha de sua nova diretoria, o Sindicato dos Trabalhadores em Saúde (Sindsaúde) chega ao final de  mais uma gestão encalacrado em dívidas, metido num tremendo apuro financeiro. Dentre outras, o atual presidente, Caio Marin, se vê enredado numa dívida com um escritório de contabilidade, que vem sangrando fundo e minando de morte as conbalidas finanças do sindicato, que é o segundo maior em número de filiados e, consequentemente, em arrecadação do estado de Rondônia.

A dívida, que teve origem em 2008, com a contratação do escritório Contabilidade Independência S/C para proceder a revisão dos cálculos de atualização monetária e juros de uma ação vencida pelo sindicato para recebimento de diferenças do Plano Bresser, ainda sob a gestão do ex-presidente Silas Neiva, passou toda a gestão do atual presidente Caio Marin e não foi paga. Saltou de algo em torno de R$ 1,5 milhão, para a casa dos R$ 4 milhões, hoje. Praticamente toda a receita obtida pelo sindicato por meio do desconto dos servidores da área da saúde é drenada para o escritório credor. A sangria nas contas aproxima-se dos R$ 280 mil mensais só com essa dívida.

Hoje, por conta da “gestão temerária”, como acentuou o juiz Jorge Luiz Gurgel do Amaral, na sentença que condenou o sindicato ao pagamento do escritório de contabilidade, por mais que os filiados tenham a contribuição sindical devidamente descontada do salário, não têm acesso a um dos convênios mais utilizados, o da Redeconv, que garantia principalmente a alimentação em época distante da data de pagamento dos salários. A administradora do convênio teve de entrar na justiça para receber a dívida por meio de bloqueio direto na folha de pagamento. Os filiados sofreram os descontos, mas o dinheiro tomou outros rumos.

Além da Redeconv, um dos maiores paradoxos aconteceu justamente com o plano de saúde. Quem optou pela migração do antigo plano para a Unimed-Fama (Federação das Unimeds da Amazônia) ficou sem o serviço e sem o dinheiro descontado de seus vencimentos.

O descalabro chegou a tal ponto que a própria sobrevivência do sindicato entrou em risco. Falta até dinheiro para as despesas mais elementares, como água, luz, telefone, internet, material para limpeza e manutenção, incluindo ainda pendências de consequências mais graves, como a inadimplência com encargas fiscais e previdenciários, que impede a obtenção de certidão negativa, além de ficar vulnerável e exposto a outras punições legais.

Indiferente a tantos problemas, o presidente Caio Marin ainda está disposto a disputar a reeleição, empreitada que ficou mais difícil depois que a juíza do Trabalho, Elisa Augusta de Souza Tavares, desmontou a tentativa de fraude, pela qual Marin pretendia dificultar o acesso dos filiados à votação e ainda o registro de novas candidaturas. Detectada a manobra, a magistrada determinou a criação de uma comissão eleitoral, composta por membros das três chapas.

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