segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

EDITORIAL: A CRISE ECONÔMICA BRASILEIRA REFLETE NO COMÉRCIO

As compras do comércio eletrônico no período de Natal renderam R$ 5,9 bilhões, o equivalente a um crescimento de 37% em relação ao verificado no mesmo período do ano passado, de acordo com a E-bit, empresa especializada em informações sobre o setor. Os dados correspondem ao período do dia 15 de novembro a 24 de dezembro de 2014, incluindo, portanto, a ação promocional à Black Friday.
Para este ano de 2015, as previsões, segundo os comerciantes dos mesmos produtos, devem ser bem ínfimos. Eles acreditam que a crise econômica por que passa o Brasil na atualidade, pode refletir negativamente, considerando o índice inflacionário, tem contribuído para que o consumidor em geral, tenham o menor poder aquisitivo, já que a inflação tem corroído seus salários.
Por conta disto, o pessimismo dos fabricantes e comerciantes se justificam, sob a alegação de que o consumidor está muito mais cauteloso. E sob este ponto de vista, o brasileiro está evitando gastar com compras de produtos principalmente a prestação, devido os altos juros cobrados na atualidade, no comércio varejista.
Conforme a empresa enquanto no ano passado, o resultado superou a expectativa inicial, que previa R$ 5,2 bilhões em vendas para a data. No total, foram feitos 15,2 milhões de encomendas, com um tíquete médio de R$ 388. A E-bit considerou que o grande incentivador do aumento de vendas foi a Black Friday, no dia 28 de novembro, que representou 20% de todo este faturamento. Para este ano, as previsões são as piores possíveis.
A entrada de novos consumidores também foi apontada como fator de crescimento do comércio eletrônico no país. Segundo a empresa, no Natal do ano de 2014, estes novos consumidores representaram 1,5 milhão de pessoas. “Em momento de instabilidade econômica como foi no final de ano passado, os consumidores intensificam as compras pela Internet, pois isso pode representar ainda mais economia e conveniência em efetuar boas compras”, disse o diretor executivo da E-bit, Pedro Guasti.
As categorias com maior quantidade de pedidos foram Moda e Acessórios, Cosméticos, Perfumaria e Saúde, Eletrodomésticos, Telefonia e Celulares e Informática.
As expectativas pessimistas do comércio para o Natal deste ano se concretizaram. As vendas podem recuar 3,7% no país entre 18 e 24 de dezembro deste ano na comparação com o mesmo período do ano passado e registraram a primeira retração da série iniciada em 2003, segundo informações da Serasa Experian divulgadas ontem. Em 2013, as vendas haviam subido 2,7% e, em 2014, 5,1%.
Nos shoppings de todos o país, as vendas até agora, já recuaram 3% em relação a 2014, de acordo com dados da Associação Brasileira de Lojistas de Shoppings (Alshop), com base em levantamento realizado com 150 empresas associadas. Apesar disso, as vendas deste ano de 2015 devem ser as piores em dez anos. “Os juros altos encarecendo o crediário, inflação elevada e o baixo grau de confiança dos consumidores afetaram negativamente as vendas de Natal deste ano”, disse a Serasa em nota.
Segundo balanço da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), divulgado recentemente, nesta semana do Natal houve uma grande queda em torno de 3% nas vendas na comparação com o Natal de 2014, e de 2,5% (descontada a inflação) em relação ao resultado apurado em dezembro do ano passado, resultados que refletem o fechamento de muitas redes de lojas, com a inauguração de 25 novos empreendimentos ao longo do ano. “Essa queda nas vendas do varejo de shopping é baseado principalmente no fechamento do número de lojas com a entrada de novos empreendimentos. É bom frisar que, se considerado as mesmas lojas, o crescimento de vendas será negativo nesta ano de 2015”, avaliou Nabil Sahyoun, presidente da Alshop.
Segundo ele, em dezembro houve uma mudança no comportamento do consumidor que antecipou suas compras com a promoção da Black Friday e, ao longo do ano, houve uma queda também nas vendas pela internet, o que acabou se refletindo em uma redução de 7% no fluxo de pessoas nos shoppings de todo o país neste Natal.

Para 2015, as expectativas não são das melhores. O presidente da Alshop estima que as vendas brutas não devem superar os RS$ 143 bilhões registradas em 2014, principalmente por conta dos fatores negativos previstos para economia em 2015, como a contenção de investimentos, o aumento de impostos e os desdobramentos do escândalo na Petrobras.

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